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Sunday, February 23, 2025

A Justiça que Apaga Crimes: O Caminho Livre para a Volta dos Corruptos

        O esforço do ministro Dias Toffoli para reescrever a história do combate à corrupção no Brasil chama atenção e levanta questões sobre a condução da Justiça no país. Com uma única decisão, ele não apenas impôs “sua” nova interpretação dos fatos, mas também anulou atos da Lava Jato em favor de Antonio Palocci, ex-ministro que admitiu envolvimento em esquemas ilícitos e chegou a devolver milhões de reais aos cofres públicos. 
        A decisão sobre Palocci, no entanto, não surgiu de forma isolada. Em maio de 2024, Toffoli já havia tomado uma decisão monocrática anulando todos os atos da 13ª Vara Federal de Curitiba contra Marcelo Odebrecht. O argumento utilizado foi o mesmo nos dois casos: as mensagens hackeadas e divulgadas na Operação Spoofing, alegando suposto conluio entre o ex-juiz Sergio Moro e os procuradores da Lava Jato.         Na prática, essa interpretação abriu um caminho para a revisão de outros processos e demonstrou uma nova linha de atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), na qual provas obtidas ilegalmente e cuja autenticidade sequer foi confirmada passaram a ser utilizadas para invalidar anos de investigações e condenações baseadas em documentos oficiais, delações premiadas e decisões de instâncias inferiores. Breve, essa decisão não apenas beneficia Palocci, mas também estabelece mais um precedente para outras anulações no âmbito da operação Lava Jato. Assim, políticos e empresários que foram condenados por desviar recursos públicos encontram uma nova oportunidade para se livrar de punições e retomar suas carreiras sem qualquer mancha jurídica. 
        O fundamento jurídico dessas decisões levanta questões. Toffoli ancorou sua interpretação em diálogos vazados de forma criminosa e que jamais passaram por uma confirmação de autenticidade. Mesmo assim, essas mensagens foram suficientes para enfraquecer um dos maiores esforços institucionais contra a corrupção na história recente do Brasil. A decisão considerou que Palocci teve seu direito de defesa violado, ignorando o fato de que ele próprio confessou seus crimes e colaborou ativamente com as investigações, detalhando o funcionamento de esquemas de corrupção que desviaram bilhões de reais dos cofres públicos. Se sua confissão foi uma injustiça, como justificar a devolução dos recursos ilícitos por ele? 
        Essa mudança na narrativa tem efeitos diretos na realidade atual. A prioridade da Justiça brasileira, antes voltada ao combate à corrupção, parece ter se deslocado para a correção de “injustiças processuais”, ainda que, para isso, seja necessário desconsiderar provas legítimas, enfraquecer decisões já consolidadas e desacreditar o trabalho de instituições como o Ministério Público e a Polícia Federal. No caso de Palocci, assim como no caso de Odebrecht, a anulação de suas condenações ocorre sem invalidar a delação premiada – ou seja, juridicamente, a confissão e os benfícios da confissão ainda valem, mas as consequências dos crimes desaparecem. Essa inversão de prioridades reforça um garantismo seletivo, onde determinados réus encontram ampla proteção judicial enquanto a sociedade assiste à erosão do sistema de responsabilização penal. 
        Toffoli justifica essas revisões alegando que Moro e Dallagnol atuaram com interesses políticos. É verdade que ambos ingressaram na política, mas isso, por si só, não comprova que sua atuação à época tenha sido motivada por ambições eleitorais. Esse raciocínio leva a uma lógica perigosa: se alguém que combate a corrupção mais tarde ingressar na política, seu trabalho anterior deve ser anulado? Por outro lado, os condenados por corrupção, se reabilitados por essas decisões, podem tranquilamente retomar suas carreiras políticas sem qualquer restrição? Assim, os protagonistas dos maiores escândalos de corrupção do país voltam à cena política como se nada tivesse acontecido, enquanto aqueles que tentaram puni-los são desmoralizados. 
        Com isso, Dias Toffoli vem se consolidando como o principal arquiteto da revisão das decisões da Lava Jato. Esse processo de desconstrução já reflete nos rankings internacionais: o Brasil atingiu sua pior colocação no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional desde 2012. Esse retrocesso não é coincidência. É consequência direta deste movimento institucional que, ao invés de corrigir eventuais excessos da Lava Jato, optou por um desmonte completo, deixando a sociedade descrente da eficácia do sistema de Justiça no combate à corrupção. O que antes era um esforço institucional para punir corruptos tornou-se uma engrenagem jurídica voltada a restaurar carreiras políticas e empresariais. 
        A decisão de Toffoli não apenas consolida a reabilitação desses personagens, mas também escancara que o combate à corrupção não é mais prioridade no Brasil. O Supremo Tribunal Federal, que um dia foi peça fundamental para responsabilizar políticos e empresários envolvidos em escândalos bilionários de corrupção, agora se reinventa como o grande restaurador de reputações. O país, que já sonhou com uma Justiça eficiente e imparcial, agora assiste a um cenário onde o passado é reescrito para permitir que os mesmos personagens voltem à cena sem qualquer consequência.

#corrupção #anticorrupção #lavajato #STF #Palocci

Tuesday, December 19, 2023

Lava Jato: Histórias dos Bastidores da Maior Investigação Anticorrupção do Brasil

Ligia Maura Costa realiza noite de autógrafos no Riopreto Shopping sobre os bastidores da Lava Jato

"Lava Jato: Histórias dos Bastidores da Maior Investigação Anticorrupção do Brasil", da editora Lumen Juris, escrito por Lígia Maura Costa, não é apenas uma crônica de eventos; é uma viagem tensa e reveladora pelos corredores sombrios da política e do poder no Brasil. Esta obra coloca o leitor no coração de um dos mais controversos e polarizadores episódios da história brasileira recente. Com narrativas baseadas em depoimentos orais de fguras centrais da Operação Lava Jato - incluindo procuradores, magistrados, advogados e especialistas - o livro desvenda os bastidores polêmicos e oferece visões antagonistas sobre a operação que abalou o país. A autora recebe convidados para uma noite de autógrafos no Riopreto Shopping nesta quarta-feira (20/12) às 19h.

Cada página deste livro é uma janela para os dilemas éticos e os jogos de poder que defniram a Lava Jato. Dividido em quatro partes distintas, abordando o Ministério Público, a Advocacia, o Judiciário e a Sociedade Civil, o livro é um convite para explorar as complexidades e contradições da maior investigação anticorrupção do Brasil. As entrevistas, realizadas com personalidades chave, revelam furos e histórias inéditas, mostrando lados da operação que nunca foram expostos ao grande público.

Este livro é mais do que um relato; é um campo de batalha de narrativas, onde verdades se entrelaçam com interpretações pessoais e políticas. Aqui, os leitores são desafados a não apenas absorver as histórias, mas também a formar suas próprias opiniões sobre os acertos, erros e consequências da operação. Com uma linguagem direta e envolvente, "Lava Jato" é uma leitura imperdível para quem quer não só compreender, mas também sentir o pulso de um momento decisivo na luta contra a corrupção no Brasil. Este livro não é apenas informativo; é um convite para mergulhar nos debates que ainda fervem no coração da sociedade brasileira.

Data: 20/12/2023

Horário: das 19h às 21h

Riopreto Shopping





Saturday, July 11, 2020

Webinar | Os efeitos da Covid-19 e o combate à corrupção



A FGVEAESP, através do centro de estudos FGVethics, realizou o evento Os Efeitos da Covid-19 e o Combate à Corrupção, com a presença do ex-ministro Sergio Moro, para debate sobre o combate a corrupção em meio à crise provocada pelo Coronavírus. Via @YouTube

Tuesday, July 7, 2020

Os Efeitos da Covid-19 e o Combate à Corrupção

Os Efeitos da Covid-19 e o Combate à Corrupção


Dia 10/07, a FGV EAESP, através do centro de estudos FGVethics, realiza o evento “Os efeitos da Covid-19 e o combate à corrupção”, com o ex-ministro Sergio Moro. 
Evento gratuito. 
Inscrições https://www.fgv.br/mailing/_EXT/2020/SP/EAESP/FGVethics/40423_combate_corrupcao/index.html 



Thursday, June 25, 2020

COVID-19 e Combate à Corrupção no Setor da Saúde






A Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EAESP), através do seu centro de estudos FGVethics, promoveu o evento COVID-19 e Combate à Corrupção. O webinar trouxe especialistas para um debate sobre como está sendo o combate à corrupção nos estados brasileiros em meio à crise provocada pelo coronavírus.
Participantes: Ligia Maura CostaMediadora - Professora titular na FGV EAESP, Coordenadora do FGVethics (Ética, Transparência, Integridade e Compliance)Guilherme FrancePalestrante Convidado - Coordenador de Pesquisa do Centro de Conhecimento Anticorrupção da Transparência Internacional BrasilAdriana VenturaPalestrante Convidada - Deputada Federal, Coordenadora da Frente Parlamentar Mista Ética contra a Corrupção




Saturday, June 13, 2020

Encontro Legal: A transparência dos dados na Covid 19

Encontro Legal: A transparência dos dados na Covid 19

Neste Encontro Legal, a Deputada Federal Adriana Miguel Ventura conversa com Ligia Maura Costa, coordenadora do FGV-Ethics e com Carlos Eduardo Gouvea, Assessor de Relações Institucionais do Instituto Ética Saúde. 

Para assistir o vídeo, clique aqui

Tuesday, June 2, 2020

Webinar | Integridade e Compliance nos Tempos da Covid-19



Webinar | Integridade e Compliance nos Tempos da Covid-19 sobre os impactos da Covid-19 no combate à corrupção na saúde com Pedro Ruske Pedro R., Diretor de Promoção da Integridade na CGU, Carlos Eduardo Gouvea , Presidente Executivo da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial e Assessor de Relações Institucionais do Instituto Ética Saúde e Ligia Maura Costa, Professora Titular na FGV EAESP e Coordenadora do FGVethics hashtagintegridade hashtagFGVEAESP hashtagcorrupcao hashtagcompliance hashtagcgu hashtagcovid19 hashtagfgvethics

Monday, April 13, 2020

A Corrupção Nos Tempos da COVID-19



"O  mundo enfrenta uma crise de saúde sem precedentes. Ela afeta os países desenvolvidos e em desenvolvimento, simultaneamente. Com a rápida disseminação do vírus SARS-CoV-2 e da sua doença a COVID-19, a saúde da população é a prioridade máxima de todos os governos. A origem do vírus nos leva à corrupção no comércio ilegal de animais selvagens, ocorrida num mercado em Wuhan, China. [...] Um mundo atordoado assiste de perto os esforços para o combate ao vírus. Nessas circunstâncias, é fundamental que a corrupção não seja ignorada."Para o artigo completo, click aqui.


Sunday, November 17, 2019

Workshop Internacional em Compliance & Anticorrupção
FGV Ethics

O Workshop Internacional em Compliance & Anticorrupção traz aos participantes uma análise das melhores práticas de anticorrupção e compliance nas organizações, tendo por foco uma análise  comparativa internacional e envolvendo praticamente todos os stakeholders. Assim, o Workshop traz uma combinação de estratégias aliadas às melhores práticas de compliance, ética, integridade e governança corporativa.

Data: 29 de novembro de 2019, das 9h00 às 13h00
Local: Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas
            FGV-EAESP
            Rua Itapeva, 432, 4o andar, Salão Nobre
            São Paulo, SP
VAGAS LIMITADAS

Público Alvo:
Executivos do setor público ou privado das áreas de governança, risco e compliance, auditores internos, jurídico, RH, membros de Conselhos de Administração, Fiscal e Consultivo das empresas.

Agenda:
8h30 – 9h00 – Welcome Coffee
9h00 – 9h10 – Abertura:
Ligia Maura Costa, Coordenadora Geral FGVethics
9h10 – 10h00 – Palestra:
Challenges of Anticorruption prevention. Comparative Analysis
Dr. Sirilaksana Khoman, Chefe do Setor Econômico de Prevenção contra a Corrupção, Comissão Nacional Anticorrupção, Tailândia
10h00 – 10h15 Q&A
10h15 – 12h30 – Mesa de Debates:
Compliance para Competividade no Brasil: Desafios e Oportunidades
Debatedores:
Ana Paula de Medeiros Carracedo, Chief Risk & Compliance Officer, Votorantim
Carlos Fernando dos Santos Lima, advogado especialista em compliance
Cristine Santini, Desembargadora, Tribunal de Justiça de São Paulo
Gilberto Frussa, Diretor de Compliance, Itaú Unibanco
Pedro Ruske Freitas, Diretor de Promoção da Integridade, CGU
Reynaldo Goto, Chief Compliance Officer, BRF
12h30 – 13h00 Q&A13h00 – Encerramento:
Ligia Maura Costa, Coordenadora Geral FGVethics

NÃO HAVERÁ TRADUÇÃO SIMULTÂNEA
Realização: FGVethics

Tuesday, March 15, 2016

CONVENÇÃO DAS NACÕES UNIDAS CONTRA A CORRUPÇÃO E O FORO PRIVILEGIADO

A Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção e o Foro Privilegiado



Até quando os crimes de corrupção serão considerados como "crimes comuns" e sujeitos a foro privilegiado? 

"Artigo 30 
Processo, sentença e sanções
2. Cada Estado Parte adotará as medidas que sejam necessárias para estabelecer ou manter, em conformidade com seu ordenamento jurídico e seus princípios constitucionais, um equilíbrio apropriado entre quaisquer imunidades ou prerrogativas jurisdicionais outorgadas a seus funcionários públicos para o cumprimento de suas funções e a possibilidade, se necessário, de proceder efetivamente à investigação, ao indiciamento e à sentença dos delitos qualificados de acordo com a presente Convenção."

A questão que se coloca é de saber se o foro privilegiado que o atual governo pretende outorgar ao denunciado (Lula), mas que ainda não é réu em processo judicial, viola o "equilíbrio apropriado", de prerrogativas jurisdicionais e imunidades, ao cumprimento efetivo da investigação, do indiciamento e da sentença, como disposto na Convenção. 

Indo além, é importante indagar se o foro privilegiado no STF ou no STJ a políticos em geral em casos de corrupção, não iria de encontro a esse artigo da Convenção da ONU. 

Sem querer desmerecer ambas as cortes, muito menos colocar em questão a excelência de seus julgadores, é pertinente discutir até que ponto cabe ao STF ou ao STJ julgar casos de corrupção envolvendo políticos em geral. Outros casos envolvendo políticos, que não sejam relativos a casos de corrupção, é clara a necessidade do foro privilegiado e este deve permanecer. Entretanto, em casos que envolvam corrupção, isso necessita mudar, para responder à expectativas legítimas da população e à realidade brasileira. Além do que, a intenção dos Constituintes de 1988, quando da redação dos artigos constitucionais relativos ao foro privilegiado (artigos 102 "b" e 105 "a da Constituição Federal), não era absolutamente o que a realidade tem demonstrado.

Isso porque a prática já comprovou que julgamentos pelas mais altas cortes são demasiadamente lentos (o Mensalão é um bom exemplo, quase sete anos para ser julgado pelo STF e, outros exemplos abundam) e, dada a gravidade e os efeitos danosos da corrupção da administração pública para o País, esteja havendo uma violação pelo Brasil ao artigo 30, item 2, da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção. 

Friday, January 8, 2016

IS BUSINESS ETHICS JUST TALK?

Is Business Ethics Just Talk?


Why “good companies” go off the fences? 


What drives upstanding corporate managers over the edge?

These questions are more opportune than ever and are quite fascinating and worrisome. General working conditions, profitability and status no longer define a good company, with the generally agreed observation that a company’s ethical approach is more than likely to be taken into consideration in the new paradigm of a “good company”. The integration of ethics and corporate responsibility may be a challenge. However, what is essential is not necessary easy to achieve.


Full article available at Council on Business & Society: http://councilcommunity.com/2015/12/23/is-business-ethics-just-talk/




Thursday, June 20, 2013

LA CONTESTATION AU BRESIL: EST-CE LA FIN DU MIRACLE BRESILIE?

La Contestation au Brésil: Est-ce la fin du Miracle Economique Brésilien? 


PARIS: Amanhã, dia 21 de junho, a partir das 8h20, horário do Brasil, estarei participando da mesa de debate na TV FRANCE24, cujo tema é Manifestações no Brasil: O Milagre Econômico Brasileiro Chegou ao Fim? O programa será transmitido, também, pela internet neste link. No debate, estarão presentes, ao meu lado, Jacques Sapir, economista e diretor acadêmico da escola EHESS (École de Hautes Études en Sciences Sociales), Jean-Paul Betbèze, Presidente da Betbèze consultoria e, François Bieber, chefe da delegação francesa no G20 YES 2013.
O programa de TV é em francês.


PARIS: Demain, le 21 juin, à partir de 13:20h à Paris, je participerai au débat à la TV FRANCE 24 autour du sujet La Contestation au Brésil: Est-ce la fin du Miracle Economique Brésilien? L’access à cette émission peut avoir lieu par internet ou par cable ou satellite. Avec moi en plateau: Jacques Sapir, économiste, directeur d’études à l’EHESS, Jean-Paul Betbèze, PDG de Betbèze conseil, François Bieber, chef de la délégation française au G20 YES 2013.
L’émission de TV est en français


PARIS: Tomorrow, June 21st, at 1:20pm in Paris (GMT +2), I will be joining a debate at TV FRANCE24 about the Protests in Brazil: Is this the End of the Brazilian Economic Miracle? You can watch TV FRANCE24 alive at or by cable or satellite TV. Jacques Sapir, economist and academic dean of EHESS (École de Hautes Études en Sciences Sociales), Jean-Paul Betbèze, CEO of Betbèze conseil and François Bieber, Chief of the French delegation G20 YES 2013, will join me on this debate.

TV FRANCE 24’s debate is in French.